sábado, outubro 06, 2012

namorados



Casei cedo, para os padrões de hoje: aos 22 pela primeira vez, aos 27 na segunda, e aos 29 na terceira e definitiva (no flyer acima, estávamos comunicando aos amigos que casamos no papel, ambos aos 53). Fora os 3 casamentos, também namorei bastante durante a minha adolescência e primeira juventude. Bastante, mas nem tanto como parece que as pessoas acham... Volta e meia alguém se apresenta como amigo ou parente de algum 'namorado' meu. O problema é que quase nunca sei de quem se trata. Como ainda não fiquei maluca e continuo dotada de excelente memória, sei direitinho os nomes de cada um dos namorados reais que tive entre os 13 e os 22. Esses que têm me aparecido, lamento dizer, são produtos da delirante fantasia de alguém.

Sei que o palco é zona erógena, e até já escrevi um post a esse respeito. Aquelas luzes sobre a pessoa, o som de uma voz numa gravação, o desejo secreto de que aquela música, com que você se identificou tanto, tivesse sido feita para você... Tudo isso junto pode alimentar todo o tipo de fantasia. Em alguns lugares a coisa pode sair do controle, como a gente vê nos Estados Unidos, onde às vezes os stalkers, ou perseguidores, quando apanhados em flagrante, recebem ordem judicial de ficar a x metros de distância do objeto de seu interesse. Eventualmente, isso até pode acontecer por aqui também. Atores e atrizes de novelas são alvos preferenciais, e por isso mesmo vivem numa tensão danada. Conheço algumas pessoas do ramo e já presenciei situações bizarras. É dura a vida da bailarina.

Na minha avançada faixa etária, porém, graças a Deus, não corro mais esse perigo. Mas é comovente e um pouco triste ver como, vez por outra, alguém dessa minha geração conta vantagens para algum parente, amigo ou vizinho - talvez numa tentativa de se dar importância diante da família, alimentar o próprio ego ou dar um pouco de graça a uma vida que talvez não tenha tido nenhuma, vai saber? Como o caso daquela senhora que me abordou no toalete de um teatro, para me dizer que meu ex-namorado, marido dela, tinha recentemente falecido. Infelizmente, este era alguém que eu não tinha a mínima ideia de quem fosse. Como destruir a ilusão de uma viúva tão recente? E de onde, pelo amor de Deus, ela tirou essa ideia?

Ou então aquela linda mocinha que atravessou o país de avião para assistir a um show meu em Nova York, eu que fora namorada de seu falecido pai. Fiquei passada, pedi mais informações a ela, tive de dizer que não me lembrava, e era verdade, eu não lembrava mesmo. Depois, juntando os dados no meu quase imbatível HD de memória, a ficha caiu. Eu conhecera o pai dela, sim. Tinha dançado uma vez - uma vez! - com ele numa festinha, nos meus distantes 13 anos de idade, em 1961. Uma simples dança, sem outra aproximação física nem troca de telefones, num bailinho de domingo, estaria longe de ser considerada namoro, mesmo para os padrões dos anos 1960. Mas vá explicar isso para a moça que tinha ouvido essa história, contada pelo pai, a vida inteira.

Meu brother Dori Caymmi, por exemplo, volta e meia ouve alguma senhorinha - e neste caso, são idosas mesmo - dizendo que foi musa de seu pai Dorival: "eu sou a Dora!", elas dizem, "eu sou a Marina"... Neste último caso, Dori sempre retruca "desculpe, minha senhora, mas a Marina sou eu: eu é que, quando era pequeno, vivia dizendo para os meus pais que ia ficar de mal com alguém. Foi daí que meu pai tirou a ideia dessa canção". Não sei se elas aceitam a dura realidade.

Não sei como funciona este mecanismo de fantasia que algumas pessoas desenvolvem, mas sei que não há mesmo nada que nós, que estamos debaixo do refletor, possamos fazer para evitar que isso aconteça. Se  acontece comigo, que sempre me preocupei em separar bem as coisas, imaginem com quem não...


7 Comments:

At 11:29 PM, Blogger pituco said...

joyce,

a música alimenta sonhos, com certeza...mas, a mídia alimenta fanatismo...um perigo mesmo...

abrsons e bacanudas as fotos...

 
At 9:30 AM, Blogger Luiz said...

a Joyce sempre foi motivo dos mais loucos delírios por parte dos rapazes, especialmente pela sua beleza óbvia...já o Dori, que me desculpe, continua Marina, digo, de mal com todo mundo, não na prática, mas no semblante...rsss...

 
At 9:37 AM, Blogger JoFlavio said...

J,
Claro que isso é comum com quem tem mais notoriedade. Não é o meu caso, evidente. Mesmo assim, minha mãe, aos 91, resolveu ter aula de informática e iria receber a professora em casa. Chegou essa notícia. Achei legal. Só um detalhe. A tal professora revelou para a minha mãe que tinha sido minha namorada. Conseguiu o emprego. Pois é.

 
At 9:08 PM, Blogger Cyntia said...

Isso me fez lembrar de uma senhora daqui do Recife que, a cada show de Chico na cidade, temos que aguentar na porta dos teatros distribuindo textos afirmando ser ex-amante dele. Ela escreve estórias absurdas, sem fundamento e faz um monte de gente acreditar. Afinal, o coitado (mas nem tanto) sempre teve a fama. Nessa onda de não colocar em pratos limpos, aqui todo mundo acredita que Chico levou essa senhora pro exílio e de quebra ainda engravidou Ana Arraes (mãe do Governador de Permanbuco) por lá! Não deve ser fácil ser ele...

 
At 11:12 PM, Blogger Luiz Antonio said...

Ser uma pessoa pública tem dessas coisas, o lado público torna difícil de manter o privado preservado devido a ansia das pessoas em saber e querer saber sempre mais sobre aquela pessoa notória.
Não adianta, tem que saber conviver com a famosa "cada mergulho é um flash!"
E o que dizer da internet com suas redes sociais que "elevou" toda a maior parte da pupulação do planeta a condição de se tornar pessoa "pública" com seu perfil exposto a quem quiser ou a quem os hackers permitirem? Seja lá por que motivo ingressaram nessa onda de redes sociais (trabalho, diversão, exibicionismo)mas o fato que cada um buscou seu espaçinho de fama no universo cibernético e com direito a receber também as mesmas incomodações e abordagens das pessoas que por sua atividade realmente são "pessoas públicas". Então, o que ja rola de ex amante, ex namorado, namorada, ex isso e ex aquilo, novos filhos...o que ja rende de barraco e até crimes essa exposição pública de vida privada, de pessoas ate´então anônimas... Já da para escrever uma novela. Cada compartilhamento é um flash! O mundo cibernético pode até ter um apelido novelesco: A COMUNIDADE DO DIVINO
um Tufão que segue levando fofocas e babados megabytes mundoa fora!

(desse eu me livrei, não entro , mas não pude impedir meu pai, de quase 80, publicar fotos de minhas minhas no face dele e me chamar de "antiquado"! Até o dia em que uma ex namorada, hoje divorciada, encontrou meu pai na rede, viu a foto de meus 48 anos e tascou a pergunta: Esse é o Luiz!!!!??? Minha mulher, visitando o face de meu pai, viu a foto, a pergunta e não comentou nada...apenas colocou um emoticon daqueles "não curtiu"....
e naquela semana a "nega dormiu de calça lee!"
Será que expux demais aqui???kkkk

 
At 9:08 AM, Blogger joyce said...

Hilário!

 
At 11:08 PM, Anonymous André said...

Eu honestamente não sei de onde vem o "problema" de Dori. Assim como muitos por aqui é de um talento à toda prova mas vive de cara "emburrada". Se for devido ao fato de não ter sua bela música com o devido espaço em seu país não é único. Muito pelo contrário. HAJA CURRAL!

 

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