quinta-feira, junho 14, 2012

leila diniz e o meu bebê

Desde muitos anos, o nome de Leila Diniz passou a ser associado à liberdade feminina, que ela praticava sem precisar pregar, simplesmente vivendo e sendo dona de seu nariz. O que, naqueles anos 60/70 do século XX, convenhamos, não era nada fácil.

(Esta é a famosa foto de Leila na praia, exibindo seu barrigão de grávida ao sol, fazendo o que todas nós tínhamos vontade de fazer -  e fizemos, dali em diante.)

Não é que fossemos assim, amigas. Mas naquela época Ipanema era uma ilha, e todo o mundo conhecia todo o mundo. E já tínhamos nos cruzado diversas vezes, até mesmo involuntariamente dividindo um mesmo namorado, o que resultou em muitas risadas nossas, e total constrangimento do Don Juan em questão... Até que no último encontro - que já não lembro se foi numa festa na casa dos pais de Olivia Hime, ou mesmo nos bastidores de um show do Bituca, num teatrinho aqui do Rio - eu estava grávidíssima da minha segunda filha.

Leila, que tinha recentemente sido mãe também, assim que me viu veio dar um beijo em minha barriga. Barriga duplamente abençoada, pois dias antes recebera também a bênção do Tom, cantando pra mim uma frase nova de sua novíssima 'Águas de Março': "é a promessa de vida na barriga da Joyce". Meu bebê nasceria, portanto, com todos os melhores prognósticos.

No dia 14 de junho de 1972, a notícia estampada na primeira página do jornal foi um choque: "Leila-vida se apagou num clarão". Ela estava num avião que explodira na Índia, possivelmente por algum atentado terrorista ou coisa parecida, nunca ficou muito claro. Chorei intensamente a partida daquela mulher luminosa, que ajudara minha geração a se tornar mais livre. Éramos todas leilasdinizes então, praticando um feminismo à Ipanema, sem rancor dos homens, muito pelo contrário, e sem os argumentos teóricos de nossas companheiras americanas e francesas. Mas Leila era nossa vanguarda, pois falava abertamente pela imprensa o que todas nós já exercíamos na prática.

Meu bebê nasceu três dias depois, de parto normal, no dia 17 de junho. Vai fazer 40 anos esta semana e é uma mulher livre, como todas as minhas filhas também são. Elas nem fazem ideia do que era ser mulher na era pré-Leila Diniz.

4 Comments:

At 12:00 AM, Blogger Renato Vieira said...

Joyce, o possível encontro com Leila num show do Bituca teria sido no lançamento de Clube da Esquina, no micro "Teatro da Cruzada Eucarística São Sebastião", vulgo Teatro Fonte da Saudade?

 
At 7:13 PM, Blogger joyce said...

Foi exatamente lá! Você também estava?

 
At 8:21 PM, Blogger Renato Vieira said...

Não, até gostaria, mas nasci 15 anos depois, hehehehehehe.

 
At 6:41 PM, Anonymous Gerlane said...

Joyce, o show aqui em BH foi lindo!Adorei. Volte mais vezes!Tenho amado conhecer sua música!

 

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