quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Deu no New York Times

Pois então, saiu uma coluna sobre minha modesta pessoa no NYT.

Não foi a primeira vez, e provavelmente, assim espero, não será a última. A diferença é que das outras vezes quem escreveu foram críticos musicais. Dessa vez, foi alguém de outra área.

Se eu gostei? Não sei. Estou até agora digerindo a dita. Foi feita pelo editor de economia do jornal, que é um jornalista super prestigiado e sinceramente fã da minha música. Mas música foi o que menos apareceu na história. Me parece - ainda não processei isso direito - que ele quis falar de como eu deveria ser mais conhecida do que sou. E de como lido bem com isso. E que bela lição de vida em um tempo onde se faz qualquer negócio por fama e dinheiro. E que atitude nobre a minha, optando por ser uma artista independente para não perder a essência da minha música. Tudo escrito com aquele pensamento americano do "follow your dream", que a gente vê tanto nos filmes de Hollywood. Está na constituição deles: the pursuit of happiness.

Americanos são quase sempre auto-centrados, auto-referentes. O mundo não existe fora daquelas fronteiras. A maioria é assim, e às vezes mesmo os nossos amigos mais antenados e informados caem no clichê. Foi o que senti acontecer, e nesse caso, uma bela janela para minha música deixou de ser aberta no mais influente jornal do planeta. Fiquei me sentindo, assim, uma espécie de Pepe Mujica da MPB, se vocês me entendem. Mas sinceramente, estou mais para Mingus do que para Madre Teresa. Se é que vocês me entendem, de novo. Não sou a mocinha (ou a velhinha) boazinha do filme. Sou a pessoa que quer fazer sua música a qualquer preço, como se não houvesse amanhã. Só isso. E tudo isso.

Leiam e me digam se estou confusa por demais, ou se entendi tudo errado:

http://www.nytimes.com/2014/02/18/opinion/nocera-joyce-does-it-her-way.html?nl=todaysheadlines&emc=edit_th_20140218&_r=1

11 Comments:

At 6:44 PM, Blogger Luiz Antonio said...

Joyce, me atendo somente a tuas colocações (a parte o fato de ser do NYT)

Ele é fã de seu trabalho, assim como eu. Só que eu só que eu desde 1980.

Tem a chance de te assistir mais do que eu ,pois o Brasil não conhece o Brasil e eu moro aqui no sul da Ilha.

Sabe de tua obra, como eu. fala de você como eu falo quando me refiro ao seu trabalho, pois_novamente_ o Brasil não conhece o Brasil.

E, por tudo que te leio aqui, te digo: tu és assim mesmo! Se isso te faz Mujica o Madre Tereza, não sei,mas
tu deixas a sensação de que prefere te deixem em paz com a tua música, te escutem e nada mais. E é assim que te sentes feliz e nos deixa feliz , pode ter certeza, mas não queremos atrapalhar, embora gostássemos de se chegar um pouquinho mais (era isso que tu tava perguntando?)

 
At 7:52 AM, Anonymous Túlio said...

realmente é um artigo muito estranho.
eu fiquei por entender.
se até o pessoal ligado a música comete erros, ele então nem se fala.
mas tem gente nos comentários dizendo que não é bem assim (um deles do burundi na áfrica).
outros dizendo que vão procurar ouvir sua musica.
bem ou mal o artigo chamou atenção para a sua pessoa.
há alguns anos atrás tinha uma personagem brasileira numa série de tv.
fiquei esperando pra ver quando ela ia falar espanhol. não demorou muito.
com internet e um mundo interconectado eles ainda estão olhando para o prórpio umbigo.
eu de minha parte aprendi que não devo ter muitas expectativas com qualquer assunto ligado ao brasil vindo deles.
estive lendo o último livro do rui castro com cronicas publicadas nos jornais e uma delas fala da biografia da carmem miranda.
o editor que se intereçou em traduzir queria cortar a parte brasileira da biografia (carmem só existiu a partir do momento que pisou em nova york)
é claro não houve acordo.
é uma visão de mundo meio homer simpson.
sabem muito pouco do mundo e não querem saber.
com isso falam besteira mesmo os bem intencionados.
beijos

 
At 8:01 AM, Anonymous Mauricio said...

Ser citada no NYT, nao e pra qualquer pessoa modesta! Nao se esqueca porem que aqui em NIT(Niteroi), voce tem fa pra caramba.

 
At 9:07 AM, Blogger Luiz Antonio said...

Segunda leitura: kkkk! acho que já me conheces um pouco, espero!
Bom: focando nesse lance do americano achar que o mundo se reduz ao seu umbigo, 0 "big navel", ao invés da "big apple"!

Muitos bons e muitos medíocres (medíocres, não! imagina eles???) muitos medianos, melhor assim, fazem e exigem e cedem para ter o reconhecimento midiático e de preferência universal.
Ele me parece quis dizer que você é ÒTIMA, não deixa de ter esse reconhecimento que vai até o Japão, mas nem por isso faz exigências e concessões só para ter nome com luz neon na porta.
Ele considera isso, ao que me parece, uma sabedoria em lidar com a vida e questiona: por quê muitos desse setor (música) encontram tanta dificuldade em lidar com isso: com o reconhecimento ou com o reconhecimento que fica aquém das expectativas pessoais daquilo que considera sucesso.

Você é um bom exemplo disso. Se eu fosse um leitor do NYT, amante de música, lendo a coluna, iria atras de teus cds para saber quem é essa mulher, pois o texto, para quem valoriza o que eu valorizo, nos fez interessar por Joyce em primeiro momento e a música dela será ouvida justamente por causa desse interesse despertado.
Ele não lançou uma critica sobre teu ultimo disco, mas lançou uma opinião positiva sobre sua música e como você conduz o teu trabalho.

 
At 3:01 PM, Blogger joyce said...

Obrigada, aliás, gracias, pessoal. Vocês estão me dando visões diferentes, isso é ótimo!

 
At 8:25 AM, Anonymous Mauricio said...

So mais um detalhe. Sua carreira indo de vento em popa, pode e deve servir de inspiracao para os nossos irmaos do Norte, que mesmo com tanto dinheiro e poder, estao quebrados.

 
At 11:22 AM, Blogger Luiz Antonio said...

Domingo.
Poderia dizer também que esse texto fala da falta de relação do Brasil com sua música ( a boa música) feita por brasileiros, inspirada no Brasil, para brasileiros que "não vão até o fim".
Vejam o clipe dessa maravilha brasileira, onde no mundo se produz isso? É lindo o clipe, da saudades, da emoção...
Onde eu posso mostrar isso senão aqui no blog?
http://youtu.be/sqEMWPTznfw
bom domingo de música para todos!

 
At 12:56 AM, Blogger Tainá Caldeira said...

O mais curioso é que, um pouco depois de ler esse post, fui ouvir o "Feminina" pelo youtube: http://www.youtube.com/watch?v=SqWPPYc6onw#aid=P-z2Uf1J_wE

E eis que leio o comentário: "What a fine singer! Thank you, NY Times!"

Pois olha aí o lado bom da coisa!

 
At 8:36 PM, Blogger Bernardo Barroso Neto said...

Como já falaram aí em cima concordo que com esse artigo mais pessoas vão conhecer a sua música maravilhosa, melhor ler ainda vários comentários sensacionais sobre você no site.

 
At 10:11 PM, Anonymous Angela Garcia said...

Oi Joyce!!! Ando meio fora deste espaço, mas hoje dei uma passadinha... Pensei algumas coisas... O cara é economista e não entende como é que você, sendo a grande artista que é, não tem a "fama" (e o $$) que merece. Você, como poucos outros(Nana, Bethania...), só grava o que quer, o que tem qualidade, e nós é que ganhamos com isso. O fato de você ser mais popular no Japão... meu Deus, esse nosso pobre povo é bombardeado com o que de pior existe e ousam chamar de música... O Japão é um país sério, não pode ser comparado com isso aqui... Morei 7 anos nos USA, trabalhei duro, e estou de volta desde 2007 e venho tentando me acostumar com tudo, mas tá difícil. Lá eu pude comprar muuuuitos cds(inclusive seu) e dvds, de artistas brasileiros, coisa que aqui não posso fazer...Mas, voltando ao artigo, O cara falou bem de você e ainda levantou a lebre pro teu trabalho, pra muita gente que não te conhece. Basta ler os comentários... "I’ve had a very lucky life." Adoro esse seu jeito sereno de ser.

 
At 6:15 PM, Blogger joyce said...

Mais uma vez, obrigada, pessoal! Especialmente Angela, que andava meio sumida, valeu. Como valeu o comentário no youtube que a Tainá pescou, Tudo é bom quando acaba bem…

 

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