sexta-feira, dezembro 01, 2006

Zona da Mata


Esta é para minha amiga de infancia Nádia, hoje psicóloga, que inventou numa mensagem aqui pra este blog uma deliciosa definição do Rio: nossa cidade é dividida em Zona Norte, Zona Sul, Zona Oeste e Zona da Mata. Ela mora na Zona da Mata do Jardim Botânico, eu moro na Zona da Mata do Humaitá. Diante de minha janela estão acácias-rosas e mungubas em plena floração de primavera, além dos geraniozinhos da casa. Melhor, impossível.

A Zona da Mata carioca tem essa particularidade: não tem endereço fixo e pode existir em Copacabana, Botafogo, no Horto, na Gávea, no Itanhangá, em São Conrado, Jacarepaguá, Tijuca... A Zona da Mata é todo o entorno de Mata Atlantica do Rio onde micos, beija-flores, tucanos e outros animais silvestres ainda têm vez. Aqui em casa já apareceu de macaco-prego a porco-espinho. Sem falar nas gigantescas borboletas azuis de contornos pretos, tão grandes que da primeira vez em que vi pensei que fossem pássaros, ou no escandalo das maritacas em bando.

A Zona da Mata é melhor que a orla carioca. Não tem carro de som, congestionamento de transito, show de axé, banda carnavalesca. Só um ambiente de paz e passarinhos, como diria o Tom, que também foi seu morador. Somos seus discretos invasores, tentando respeitar o que dela ainda resta, antes que outros menos cuidadosos o façam.

5 Comments:

At 6:26 PM, Anonymous Luiz Antonio Henriques da Silva said...

Muitos que me conhecem sabem que sou carioca de nascimento e gaúcho de coração, tenho um orgulho desse pampa que talvez poucos dos aqui paridos ostentem. Do gene carioca na veia – como costumo me referir a esse meu lado mais despachado e sacana – ficou esse jeito de ser e o gosto pelos dias quentes e ensolarados, não gosto do inverno, me deixa deprê – tem nome pra isso, “depressão sazonal”, acredito que não dá para tanto, mas o frio e os dias cinzentos não estão entre os meus eleitos para pular fora da cama e por isso adoro a chegada da primavera – apesar da rinite – a luz do dia em Porto Alegre é única no mundo e depois dos calorões quando um monte de nuvens gigantescas começa a tomar conta pintando o céu de cinza chumbo isso também me lembra muito o Rio com suas tempestades de verão, quando olhamos pro Redentor, passando pelo Jardim Botânico, vendo aquele mar verde das montanhas da floresta da Tijuca contrastar com o chumbo da chuva que vai desabar, essa é a minha lembrança do Rio, a presença forte, verde e aromática da "zona da mata", do rio dos macacos, das jaqueiras carregadas, dos calçamentos de pedra moleque, das estradinhas paralelepípedas que se somem por entre as árvores da floresta atlântica cheias de limo, passáros e fontes escondidas - só quem vive essa floresta é capaz compor "chuvendo na roseira"
Essa é a parte do Rio que eu amo e me orgulho, mesmo sabendo que ela convive com a realidade do narcotráfico, da bala perdida e que a aurora de um novo dia numa caminhada pelas aléias do Jardim Botânico é mesma que joga luz sobre os corpos executados que a polícia vai encontrar daqui a pouco na Baixada. Dois universos paralelos convivendo numa só cidade que ainda assim consegue ser "matatlanticamente" bela.

 
At 3:59 PM, Blogger nadia said...

Que linda homenagem amiga.Beijos e ate amanha, Nadia

 
At 8:50 PM, Blogger Luiz Antonio said...

Joyce, pelo que você já viu dá pra perceber que eu gosto de escrever -faço comentário em quase tudo - coisa de quem tem algo a dizer também, mas muito de quem te admira a distância e achou no blog uma forma de comunicação contigo, tipo um S.O.S de mais um exilado na Ilha Brasil, como costumo me definir devido a pouca chance que tenho de ver teu trabalho nos palcos brasileiros. Gostei desse negócio de blog e abri um pra mim e como o comentário que fiz sobre a "zona da mata" acaba me identificando um pouco, falando do meu jeito de ser e de minhas origens "cariopampeanas" utilizei ele no blog. Se tiver um tempo me acesse: http://meupianoeomeuteclado.blogspot.com/
E vamos nessa, trocando idéias via blog, às vezes falando do mesmo Brasil que além de ser continentalmente grande tem na cultura e na educação - ou na falta dela - uma distância maior ainda do que os quilômetros que nos separam e te levam a cantar pra outros povos. (e não venha me dizer que o verso "me nego a ser princesa num reino de anões" não é o retrato disso tudo -? -Beijos. Luiz.
lahs@terra.com.br

 
At 3:31 PM, Anonymous quezialucena@gmail.com said...

Joyce...
Seu blog ganhou uma visitante assídua!
eu amo seu trabalho.
Fã incondicional, louca ir a um show seu!
Venha pra Bahia, e nos presenteei com seu show.


Beijo e bons fluidos!

 
At 12:49 AM, Anonymous Laura said...

Joyce,

Caiu na minha mão um CD novo no qual voce canta e o Tutti toca: Especiaria, do Flavio Chamis - QUE MARAVILHA - onde é que voce foi achar estas musicas? Os teus fãs tem que conhecer o CD (Biscoito Fino). A capa tambem é absolutamente linda! Parabens!

Laura - SP

 

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