terça-feira, abril 01, 2008

mesão

Hoje peço licença para reproduzir um texto do querido Danilo Caymmi, de conhecida verve verbal (bota 'v' nisso!), e que agora se revela igualmente hilário de texto. Agradecimentos a Mário Adnet, que por sua vez pegou este texto com Elianne Jobim, e por aí vai. E salve o Dalil!

(Porém... ontem aqui em casa, lendo este texto, Dori não reconheceu o estilo do irmão, achou que as citações inventadas não eram exatamente do jeito que ele faria. E formou-se a confusão: é do Danilo? ou terá ele recebido este texto na internet e repassado pra Elianne? será que este texto é do Paulinho Pauleira? (tem um pouco a cara dele) Vamos ter de perguntar ao suposto autor.)

E agora... bomba, bomba! confirmadíssimo pelo próprio autor: o texto é do Danilo mesmo. Parece que teremos um novo colaborador aqui no blog...

Enfim, com vocês...

O MESÃO

“ alles zusammen bitte!” ( ponha tudo numa conta, por favor!)


Da mesma maneira que os furacões, maremotos, tempestades, se formam do nada, assim também se formam os mesões: inesperados, furtivos, independentes, causando indiscriminadamente enormes prejuizos e constrangimentos. Seu poder de mutação e dissimulação é enorme, e agindo sob o manto do prazer e da diversão, se apresenta de maneira implacável e predadora .

O aficcionado deve estar se perguntando, o que viria a ser um mesão? Bem, no dicionário poderiamos ter um verbete assim:

- fenômeno econômico de natureza bossa nova que ocorre principalmente em bares e restaurantes do mundo inteiro e que aproxima, de maneira singular, o capitalismo devastador do socialismo radicalizado, gerando o carnaval -socialismo.

Exemplificando :
Suponhamos que você vá jantar fora sozinho, acompanhado ou com um pequeno grupo e encontra outro grupo de pessoas (basta que se conheça apenas uma delas); que imediatamente se sentam à mesa sendo convidadas ou não. Pronto: está caracterizado o mesão em sua forma embrionária clássica .

Podemos dizer, a respeito do processo de instalação, que é por intermédio do garçon que o mesão é ativado; quase sempre no momento em que a conta é apresentada.
Importante notar que, instalado, o mesão é incontrolável, absoluto e mutante. (... certa vez fui a uma churrascaria com minha esposa, e ao voltar do toilette não só tinha perdido minha companheira como já estava sentado ao lado de uma atriz famosa, o mesão simplesmente se apossou de minha mesa sem que nada pudesse fazer!!! )- “ neurosis of abandonment” j.j. mandel

Mesmo que você tenha pedido sua conta separada, ela não virá, porque os garçons inconscientemente ignoram seu desejo, trazendo sempre a conta total. Um fato histórico ratifica essa estranha conduta.
“wir zahlen getrennt!” (contas separadas, por favor!), a célebre frase, dita por um simples freguês numa cervejaria em Munique, desencadeou em 1923 na Alemanha a revolta dos garçons, o malogrado “putsch de Munique” - “ die deutsche katastrophe” - günter brenner

Nunca ache ,que pelo fato de você ter bebido somente dois chopps e seu colega do lado uma garrafa de champanhe francês, irá pagar menos por isso. Sempre se paga mais do que o esperado, e consequentemente o sentido de justiça perde referencial .

"...creio que a economia de mesão seja a celula-mater do neo-carnaval-socialismo, mesmo tendo observado alguns poucos casos de pânico durante a apresentação da conta” -
“ the big table research and behaviorism “- werner g. wiley


Suponhamos, a título de exemplo, que a conta tenha sido apresentada: o que se segue, após um breve silêncio, são tentativas infrutíferas de se administrar o caos econômico visando saldar a dívida com o estabelecimento, já a essa altura representado pelo duo maître-garçon . Como consequência, o prazer e a diversão dão lugar a um estado de depressão coletiva (já foram observados casos de fuga desesperada, euforia, estados amnésicos e catatonia)
“os leigos costumam agir, quando se vêem acuados pelo fenômeno, de maneira precipitada, o que facilita ainda mais o seu desenvolvimento ” .
- edgard blanchour - ( dementia paranoides - vol. 1)

Aproveitando-se ou não, do estado caótico que acabamos de analisar, estudaremos a seguir dois elementos importantíssimos, que irão conduzir o fenômeno`a sua fase final:
o pagão (aquele que paga) - geralmente de posses e que irá arcar com todas as despesas para alívio geral, e que causará tristeza aos participantes que economizaram no processo.
e o manager - que só surge no processo quando a figura do pagão é inexistente, e se propõe imediatamente a resolver (com a anuência de todos) o imbroglio econômico.
“ o procedimento do manager é matematicamente simples e lucrativo (para ele); do ponto de vista econômico, todos terão prejuízo até mesmo o binômio garçon-maître” - “ la logica y el hombre ” j .gabriel contreras

Procedimentos básicos do manager:
Após dividir o total da conta por todos os participantes, a essa altura aliviados por sua iniciativa, ele irá pagá -la sempre com o próprio cheque ou cartão de crédito. Como resultado, todo dinheiro cash na mesa irá parar nas suas mãos. "Lembrem-se de que é muito dificil o dinheiro arrecadado ser menor do que a conta em questão (maior 30 a 40%, pela estimativa de lucro na amostragem de managers pesquisados)" - sylvie binot “ intimate friends, dangerous rivals” 1931

Acobertado por momento psicológico instável onde todos querem se livrar de encargos financeiros e ir embora, ele, manager, sairá livre e impune.

Só há registro de um único caso em que um manager foi condenado por um tribunal; foi no estado da California, EUA - caso Swarthmore x Clark em 1953.


Históricamente, o hábito de se constituir mesões remonta ao início da era cristã, sendo a Santa Ceia o exemplo mais digno. É bem provável que o apóstolo Judas tenha sido o primeiro manager de nossa era, e recentes estudos dos pergaminhos do Mar Morto revelaram a surpreendente versão: ao que parece, durante a Santa Ceia Judas foi surpreendido por Jesus manipulando 30 dinheiros da conta em benefício próprio, fato que motivou a delação de Jesus como subversivo às autoridades romanas. Judas o delatou antes que fosse delatado .

7 Comments:

At 10:29 AM, Blogger Luiz Antonio said...

Chego no escritório, abro o micro, dou aquela conferida diária na web e..acho essa "maravilha"! Incrível! Além de muito bem- humorada deixa a sensação de que "gente como vocês" ,lêia-se nossos íd-A-los,são gente como a gente mesmo e passam pelas mesmas saias-justas! Hummm...estou até "me achando"! Só não vale dizer que isso é primeiro de abril!

 
At 8:21 AM, Anonymous Sérgio Santos said...

Joyce.
O pior constrangimento do mesão está longe de ser o financeiro. A conta, pelo mal ou pelo bem (aliás sempre pelo mal), é inapelavelmente paga. Aí se chora uma semana ou duas, deixa-se de comprar aquele DVD e de ir àquele show que a anos se esperava; enfim, corta-se algo e tapa-se o rombo financeiro da conta do mesão. Um ou dois meses depois ele vai para o limbo do esquecimento, sem traumas mais profundos.
Agora, o duro mesmo do mesão é o aspecto pouco explorado no texto de que, invariavelmente, o mesão lhe reserva sempre um chato ao seu lado. Não há escapatória, e nunca é um chato standard, administrável; é sempre um chato plus, um mega chato pro, daqueles com capacidade para encher o seu saco a noite toda sem a menor cerimônia, falando a centímetros do seu rosto sobre qualquer coisa que você não tem a menor vontade de conversar. E não há estratégia cabível: se você mudar de lugar, haverá outro mais chato à sua espera, surgido do nada. E aquele devaneio de uma noite agradável ao lado da pessoa amada, naufraga no inferno interminável de um chato cutucante, lhe aporrinhando durante a angústia da espera por uma conta que nunca vem. Pois não adianta querer se livrar do chato do mesão pagando uma parcial da conta e escapando furtivamente: devido ao fenômeno da saideira, essa conta só virá no dia do juizo final!! Olha, isso sim deixa traumas. O prejuízo da dolorosa chora no bolso, mas passa. Um chato de mesão, isso sim pode deixar marcas psicológicas indeléveis que irão lhe acompanhar durante toda a vida.
Bjs
Sérgio

 
At 12:29 PM, Blogger Pituco said...

Joyce,
creio que todos nós já passamos pelo fenômeno 'mesão'..rs!

certa feita,aí no Rio,na pizzaria Guanabara na companhia de Chico Caruso e monte de gente que nunca vi,antes e depois do encontro...sacanagem total,eu que não bebo, nem refrigerante, paguei uma fortuna pelo que não consumi!

ou mesmo,qdo somos convidado por um suposto amigo,que lidera os pedidos sem consultas e anuências prévias e no final,faz a divisão igualitária...sofri muito com isso!

por aqui,como deves saber,cada um paga o que consumiu...e quem convida é quem arca com a despesa!

não é questão de pão-durismo...é justiça!

amplexosonoros
namaste

 
At 8:34 AM, Blogger Danilo said...

oi joyce ,

é meu sim o texto que vc. publicou depois de longa pesquisa ...

abs

danilo caymmi

 
At 2:44 PM, Blogger Carlos Bruni said...

Geraldo, o Rio é pródigo em nos apresentar artistas de categoria. Ontem, fui ao Teatro FECAP ver a cantora Joyce. Já a conhecia, evidentemente, mas o que vi na noite domingueira foi uma artista de classe em toda sua exuberância. Por isso, tomo a liberdade de convidá-lo (e a quem você quiser repassar), para participar da comunidade que acabei de criar para ela , uma vez que o que existe nesse sentido no orkut, em referência à artista) é muito pobre e desatualizado, o que me levou a revitalizar as referências a ela.
Um abraço

Comunidade: Joyce, uma artista
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=49753197

 
At 10:36 PM, Blogger Helena said...

Graças à sabedoria com compadre, já me safei algumas vezes: quando o ameaçador "fenômeno" acontece, rápidamente eu peço , hors d`ouvres, camarões, sobremesas refinadas, etc.!!!!
Ave Danilo

 
At 11:26 PM, Blogger Carlos Bruni said...

Ihh!! Joyce, acho que fiz uma bagunça generalizada. O texto que postei (colado) acima era para um amigo do orkut. Acho que colei errado (e, pior, não conferi).
Ma, creio que vc entendeu. E se quiser passar lá pelo orkut, a casa é sua.

Um abraço

 

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