domingo, agosto 24, 2008

Caymmi visita Tom

Foi esse o título da canção que me veio, ainda sob o impacto da perda "de mais um pai" (como disse nossa amiga Luciana Rabello, na missa de 7º dia de Dorival). Contamos sobre a música nova para o Dori, e ele na mesma hora se lembrou do subtítulo do LP original, de 1963, produzido por Aloysio de Oliveira: 'Caymmi visita Tom (e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo)'. E já saiu falando' eu não quero ir nessa visita não'. Dori perde a canção, mas não perde a piada.

Nem era essa a intenção, cruzes. Ninguém vai levar ninguém tão cedo. Mas a canção ficou pronta, fiquei feliz em fazê-la e a divido com vocês aqui. Um samba em 3/4 (aos leigos: não é três-quartos, mas três por quatro, o compasso):

Caymmi visita Tom
Os dois são homens do mar
A onda se ergueu
O tempo virou
A praia pode esperar

Navio na Codajás*
Coqueiro em Itapoã
A onda se ergueu
A terra tremeu
Foi samba até de manhã

Um homem adormeceu
Sonhou com as terras de lá
Fez sua cama de rei
No colo de Iemanjá

Caymmi visita Tom
Jangada saiu pro mar
A onda se ergueu
A noite envolveu
O tempo mandou buscar

* Rua Codajás, no Leblon, onde Tom tinha uma casa em forma de navio no final dos anos 60/ início dos 70, ainda casado com Teresa, e que nossa turma freqüentava assíduamente. Não foram poucas as vezes em que liguei de lá para minha mãe, por volta das 7 da manhã, dizendo 'mãe, tá tudo bem, não se preocupe que eu estou na casa do Tom'. E ela se tranqüilizava mesmo, pois sabia que o ambiente era totalmente família...

6 Comments:

At 4:15 PM, Anonymous Anônimo said...

Oi Joyce,

Estamos todos desejando ouvir esse samba. Será que você está pensando em lançar um novo disco?

Por outro lado, a explicação sobre "Codajás" foi ótima. Eu sempre adorei a canção da Nana Caymmi com o mesmo nome, mas nunca entendi o significado da letra por não saber o que era Codajás. Mas agora tudo ficou claríssimo.

Hugo, de Barcelona

 
At 6:42 PM, Anonymous Túlio said...

as casas do tom.
se a da rua nascimento silva foi o ponto da geração criadora da bossa nova a da codajás foi da sua geração.
eu daqui das gerais e mero ouvinte das criações que de certo modo saíram destes dois ambientes, só posso sonhar com o que aconteceu musicalmente lá (adoraria ter participado), quem sabe você possa fazer um post sobre isto (da codajás é claro, pois eu sei que você não participou da época da nascimento silva).
eu aqui fico de luto por mais um grande que como diria guimarães rosa não morreu ficou encantado.
beijos
Túlio

 
At 2:01 PM, Blogger Bernardo Barroso Neto said...

Sensacional!
Parabéns Joyce pela letra, já estou doido pra ouvir essa música. Uma homenagem mais do que justa aos dois maiores mestres da música brasileira: Tom e Caymmi.
Também fiquei interessado em saber mais histórias de Codajás.
Obrigado por tudo!
Beijos

 
At 1:59 PM, Blogger rogerio santos said...

Joyce, é impossível não se emocionar com a partida de uma entidade como Dorival Caymmi, essa referência da cultura brasileira.

A letra é muito bacana e desde já estou na expectativa de conhecer também o áudio.

Aqui no meu canto virtual, também escrevi umas linhas tocado pela partida da jangada.
Veio na cabeça com uma melodia de ladainha e sai escrevendo minha oração.


Dorival (Estrela do Mar)
ROGERIO SANTOS

segue teu destino
cantador do mar
segue teu destino
capitão de areia

peço tua benção
vento e céu azul

deixa em nossos olhos
mares de sonhar
ponho os pés no sal
para me abençoar

cheiro litoral
que é de marejar

o que é da terra é térreo
e a terra tornará
o que é dos deuses conta
enfeita Iemanjá

e segue procissão
mil ondas do mar
mil ondas de som
de pérola lilás

notas de oração
vela mil sóis em si
atraca embarcação
que faz canção no cais

e quando chega e sai
inventa um novo mar

toda constelação
evoca esse fanal
além rebentação
vai som de Dorival

que agora eflui em luz
nação pedra do sal
em noite de luar
rebrilha em todo mar



Beijão de Sampa,
Rogerio Santos

 
At 9:33 PM, Blogger surradas.palavras.senis said...

Muitas cantorias numa nota musical...!sol maior, renascer de um novo dia em algum outro lugar...

acenando a sorrir, lá se foi dorival
repetindo refrões, encantando as canções...refazendo a vida do lado de lá, onde o encanto das águas o embalam num sonho num puro descanso ao colo de iemanjá.
Lá se foi dorival, cantando baixinho
"quão doce é morrer no mar"




Carinho a todos que de alguma forma direta ou indireta conviveu com a voz que Stella tanto amava e que por nós tbm tão admirada...voz que cantava a bahia com detalhes sem igual.

 
At 2:15 PM, Anonymous Odimar Feitosa said...

Joyce,
Parabéns pela sensibilidade de criar tão bela canção. Os mestres, como nós, devem estar emocionados!

Abraços dos mares de Fortaleza!

 

Postar um comentário

<< Home