domingo, abril 05, 2009

diário de bordo (4)

Itália. Itália. Itália.
Como eu amo esse país, apesar de toda a bagunça e do inenarrável Berlusconi. Adoro as canções italianas dos anos 60, o neo-realismo e todo o cinema que veio depois, Fellini, Pasolini, Visconti, as comédias de Alberto Sordi, Vittorio de Sica, Mastroianni, La Loren. Que aliás me fez protagonizar uma cena cômica anos atrás, numa loja chique em Roma. A mocinha dizia que não tinha nada para o meu tamanho: 'a senhora tem busto muito grande'. E eu não pude deixar de dizer: 'por favor, signorina, então me dê o endereço da loja onde a Sofia Loren compra as roupas dela'. Depois dos 30 segundos de espanto, ela caiu na risada _ e achou alguma coisa que me servisse. Até tu, Roma!

Mas estou saindo do assunto. Estas fotos foram feitas em Longiano (antigo Vale das Cerejeiras), na Emilia Romagna, lugar deslumbrante, onde ficamos numa pousada deliciosa chamada Allogio al San Girolamo. Tocamos no teatro antigo da cidade (uma cidadezinha mínima, mas linda). Essa foi uma de nossas paradas no país.

As receitas de felicidades na Itália foram quase diárias, mas a mais especial aconteceu em Modena, no Baluardo della Cittadela, antiga fortaleza da cidade, hoje uma mistura de restaurante e centro cultural, onde fizemos o concerto. Eles têm um chef novo por lá, que, apostamos, vai ficar muito famoso num futuro próximo. O nome é Alessandro Dondi, e um dia poderemos dizer que comemos, de autoria dele, o seguinte menu:

Tortelloni di ricotta (sei, vocês pensam que conhecem esse prato. Mas isso não foi um prato, foi uma experiencia metafísica. Todos os meus sonhos da juventude se desmanchando na boca)
Insalata Misticata (temperada com balsamico... de Modena, claro)
Vinhos e águas locais. Não quisemos nem ouvir os nomes.

As sobremesas causaram controvérsia. A minha não deu muito certo, mas fui eu que escolhi errado. Devia ter pedido o cannoli do Rodolfo, ou a panna cotta do Tutty (segundo ele, essa panna cotta o levou a uma profunda reflexão. Deve ter sido incrível mesmo). Como não acertei em Modena, fui acertar em Longiano, com o melhor tiramisu que já comi na vida.

Em tempo: cappucino é na Itália. Eles inventaram, eles sabem fazer. O resto é café com leite.

De quebra, uma surpresa. Há muitos anos atrás, em 1987, se não me engano, estive no Equador com meu amigo Mauricio Tapajós, onde conhecemos uma garotada italiana que fazia um periodo de voluntariado lá, junto aos povos indígenas. Todos muito jovens, solidários e oferecendo o melhor de si, ali em Quito ou na selva. E eis que muito tempo depois, reencontro dois deles, Emmanuela e Stefano, hoje casados e com filhos, vivendo em Bolonha. A surpresa maior foi constatar que ela, Manu, se tornara violonista e compositora talentosa, de inspiração brasileira. Aqui estamos juntas, pois ela foi me ver nos shows que fizemos, e acabei gravando uma participação no seu próximo disco. Na correria da tour, eu não teria tempo de ir até um estúdio, por isso o estúdio veio até o nosso hotel, e lá mesmo gravamos.

2 Comments:

At 12:10 AM, Blogger Cyntia said...

Vocês têm umas "paradas gastronômicas da felicidade" muito finas (aliás, meus posts favoritos são sobre as suas viagens com comidas)!
Enquanto isso, eu fico aqui na minha humilde vida de universitária solitária a base de tapioca, chá, arroz integral e com um pouco de sorte, camarão do pescador da quadra vizinha... En attente de ma journée à Paris, com meu francês trés bizarre. hahahaha

 
At 3:22 AM, Blogger Renato Vieira said...

Joyce, aqui está a letra de Noruega Gelo e Alegria. Bom saber que o arranjo é seu!

"A Escola de Samba Unidos de Oslo saúda a imprensa e o público em geral e pede passagem!"

Noruega, seus campos brancos de neve
Nos traz a mais feliz recordação
Dos momentos gloriosos
Inesquecíveis, heróicos
Da pesca do bacalhau, ô ô
Quem já viu o sol da meia-noite nascer
Pode nos dizer com mais razão,ô ô
Noruega, Noruega querida
Para sempre morarás no meu coração, Noruega

Baluarte da Europa Setentrional
Banhada pelo Oceano Glacial
Teve em sua história grandes vultos
Em crianças e adultos
Que fizeram sua honra e tradição
As ardósias dos criados majestosos
As papoulas das florestas tão gentis, ô ô, ô ô
Abre ala, minha gente, que a Noruega chegou!

Diz Noruega!
Das planícies geladas e silenciosas
Partiram temidos Vikings
Navegando rumo a oeste mar afora
Descobriram a América antes da hora
Na bandeira o vermelho da coragem
O branco da pureza e o azul do imenso céu
Terra abençoada onde reside o bom velhinho
Conhecido pela alcunha de Papai Noel, Noruega!

Ô Ô Ô, abre ala minha gente, que a Noruega chegou

Bjao

 

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