terça-feira, setembro 08, 2009

na idade da razão - aniversários

Antigamente as festas de aniversário de criança eram simplérrimas e divertidas. A gente juntava uns dois ou três amigos(as) para soprar bolas, fazer brigadeiro e cachorro-quente e pronto. Hoje as festas infantis são produzidíssimas, caríssimas, organizadas por empresas especializadas e com a presença infalível dos 'animadores'. Nas festinhas antigas, a animação vinha das crianças mesmo, era só os pais chegarem no local e deixar que elas mesmas inventassem suas brincadeiras. A gente ficava lá só olhando, batendo papo com outros pais e mães e comendo o brigadeiro cuspido por nossos filhos e filhas. Todo mundo se divertia à beça.

Hoje, ai de nós, as crianças querem as festas superproduzidas, apoteóticas, bem diferentes, por exemplo, da festinha que aparece na foto acima, quando minha filha Clarinha (na foto, com a irmã, Aninha) fez 11 anos e organizamos um piquenique no Parque da Cidade _ local hoje infrequentável, devido à violencia e aos assaltos constantes na área.

Agora é a vez da geração seguinte.

Ele vai fazer sete, que, dizem várias tradições, é quando começa o livre-arbítrio. Chegou pra nós num momento especialmente conturbado, exatamente uma semana depois da partida de minha mãe. O que foi uma prova, pelo menos pra mim, de que a vida tem sempre razão.

A mãe dele acha que na festa de 16 anos, ou seja, em 2018, ela terá de mandar fazer um convite igual ao que está acima. Vamos ver. O tempo dirá. Festa em Marte, eu diria, talvez só quando ele estiver completando trinta, e aí ele mesmo convida. Por enquanto ele só quer saber de futebol, judô e computador. E dos primeiros livros, agora que se alfabetizou e descobriu um novo mundo. Ele mesmo responde aos e-mails. Crianças modernas fazem tudo isso, claro. Difícil é fazer com que eles topem uma festa mais simplezinha... Parece que este ano conseguimos.

13 Comments:

At 11:08 AM, Blogger Dani Monaco said...

Curioso vc falar sobre festinhas de criança...gostei! Se tiver curiosidade, no link abaixo escrevi algo sobre festas infantis tb. Um grande beijo da fã, Dani.

http://berreiro2.blogspot.com/2009/06/festa.html

 
At 1:53 AM, Blogger Luiz Antonio said...

Mas, Bah! Hoje aqui em casa teve festinha de dois anos da Annita. Para marcar a a data oficial (08set). Festa ao estilo que vc comentou: um bolo, uns salgados e somente a familia direta: nós,os avós paternos, tres tio(a)s e dois primos. A festa oficial do evento está marcada pra sábado que vem com direito ao kit completo de aniver da modernidade. Há uma previsão de chuva intensa por aqui nesse dia, então cogita-se levar para adiante, mais um final de semana, senão onde estarão colocadas a cama elástica,o rapell e outras... isso sem falar numa atração a parte (mas essa eu particularmente AMO DE PAIXÃO) que é o momento em que a família de minha mulher_família italiana a moda antiga, que mora na serra gaúcha, chega num microônibus de 22 lugares e lotado_ trazendo irmãos, primos e a Nona.Familia unida assim é sempre uma festa a parte, Graças a Deus temos isso. Como pai, confesso que não me agrada, nem como evento nem como inve$$timento. Hoje, sim, foi sensacional. Annita que tem dois anos na cronológica e no mínimo três e meio na emocional (sim pois eles chegam cada vez mais acelerados,quase que em versão "dualcuore com no minimo 4gb de memória cache e um sistema wireles que capta qualquer sinal emitido a km de distãncia e sem interferências") sacou tudo, vibrou com o presente (até porque foi ela que escolheu, mostrando na tv a propaganda e dizendo "eu quero isso")e fazendo todos cantarem e repetirem "n" vezes, até o pavio da vela acabar, o parabéns_e sempre com a exigência de que se "apagasse a luza". Soprou e não cuspiu! Foi emocionante, foi o verdadeiro aniversário! O impacto foi tão positivo que estou abrindo negociação com a mãe dela, para ficarmos, por conta dessa festa improvisada, depois do trabalho, sem produção, como sendo o evento oficial, pois aposto nenhum outro vai superar em alegria, surpresas e emoção como esse "aniver a moda antiga" que saiu aqui em casa hoje. Deixemos as superproduções para os próximos anos, até porque não teremos alternativa, ao que tudo indica. Felicidades e muito boa sorte para o seu!

 
At 9:27 AM, Blogger Rafaela Figueiredo said...

bom mesmo vc ter abordado um pouquinho do tema!
as transformações são tantas q é impossível não pensar como vcs supuseram para o aniversário do rapazinho!
sinceramente, esta nossa era - teoricamente a do conhecimento - me dá [muito] medo...

beijo

 
At 10:23 PM, Blogger j. de andrade lemos said...

joyce,
voltei ao tempo enquanto lia seu post sobre alguns muitos anos atrás e comecei a perceber que dávamos mt mais importância às coisas simples da vida! Veja bem, as próprias canções q lançaram os grandes cantores como vc, chico e demais,foram cantigas de letras simples tipo "clara e ana e quem mais chegar... um coração de mel e de melão"... eu não imagino as crianças de hj em dia cantando tamanha sublimidade,quase uma canção de ninar, se não é. Então, o próprio chico,grande literato fez o maior sucesso contando uma história de uma moça feia e triste na janela olhando a banda passar...
[vou cont abaixo]

 
At 10:28 PM, Blogger j. de andrade lemos said...

... E tudo isso nos faz ter a certeza que muita coisa mudou de lá pra cá,principalmente a noção capitalista do troca destroca, acompanha a moda e tendências, fazendo as nossas crianças,jovens e adolescentes,até mesmo nós adultos esquecer que a simpliscidade é quem toca realmente a alma e nos faz ter saudades de tudo o que já vivemos um dia... até mesmo uma simples festa de aniversário! ou uma simples melodia "como um novelo de lã"... ô tempo bom.
bj no Coração.
janete de andrade

 
At 12:53 AM, Blogger Cyntia said...

no quesito aniversário, eu sou mais atrasada do que a minha geração: nunca curti festas, smepre morri de vergonha e acho tudo muito superficial... especialmente nessas festonas, tipo a dos 15 anos, quando eu preferi viajar e choquei todas as minhas amigas (que fizeram festas, claro). Mas mudando de assunto... viu você na lista das cantoras veteranas brasileiras que estão na ativa que a Saraiva fez na Almanaque desse mês? Achei bem sem noção, começam falando que são cantoras que estão firmes no mercado brasileiro e quando falam de você, a carreira internacional é o ponto principal. Além do mais, algumas nem estão assim, em alta.

 
At 8:23 PM, Anonymous Daniela Aragão said...

Olá Joyce,

Escrevi uma crônica sobre o seu belíssimo Slow Music. Você pode lê-la no meu blog:www.ocantodadaniela.blogspot.com

abraços

 
At 6:34 PM, Blogger Flavio said...

Talvez não dê mais pra frequntar o Parque da cidade hoje. Mas eu consegui fazer uma festinha de aniversário de 6 anos do meu filho há 7 anos, ainda era possível....

 
At 3:33 PM, Blogger pituco said...

joyce,
graças à insônia e a esse universo virtual, acabo de ouvir tua música 'capitão' em parceria com f.brant, na voz de elisa queiroga...

conheces?
senão, vale ouvir...uma versão arrepiante

vivam as mulheres e suas vozes e talentos.

abraçsons pacíficos

 
At 10:30 AM, Blogger JoFlavio said...

“Para quem não sabe, minha filha foi alfabetizada em inglês”. Essa foi a justificativa da Xuxa para o erro de português da filha Sacha no seu twitter (ela disse que ia fazer uma sena(sic) com uma cobra) – que eu me lembre, conheço um único Sacha, Distel, e homem, cantor francês. Além do nome no mínimo sem sal e de dupla aptidão, a filha (11) parece foi também concebida, literalmente, sem qualquer tempero adequado. Fico a imaginar como será a festa 15 anos dessa menina, coitada.

 
At 10:02 PM, Blogger Lizzie said...

pois é, comadre, como me lembro dessas tantas festinhas a que fomos juntas com as meninas! de como elas provavam as coisas, não gostavam e deixavam tudo babado nas nossas mãos - e a gente comia, pra não jogar no lixo... elas queriam era correr e brincar com os amigos, e não tinha disco da loura chatinha (graças a deus!), mas tinha saltimbancos e arca de noé. não sou chegada a essas superproduções tão na moda atualmente, nem aos animadores berrando no microfone, como se todas as crianças fossem surdas. por coincidência, acabo de voltar da festinha de 6 anos da amodini, filha da joy, irmã da marya. sou vovólizzie pra ela também! festa na vila, com muita correria, bolinha de sabão, amarelinha riscada no chão com giz, joy contando histórias pras crianças - festa de antigamente: às vezes, ainda dá pra fazer assim...

 
At 1:04 PM, Blogger Renata de Aragão Lopes said...

Muito bom o seu texto!

Em minha infância,
os aniversários também eram em casa
e, nem por isso, menos divertidos!

Vejo, hoje, estas festas caríssimas,
para as quais APENAS os nossos filhos
são convidados...
Temos hora para levá-los
e para buscá-los.

Não será isto um reflexo dos nossos dias?
A crise do conceito de família?
A inversão de valores imposta à sociedade?

Simplesmente, não me conformo...
E faço festas para o meu filho
dentro do orçamento
e de acordo com minhas convicções
- mesmo ciente de que o sonho dele
seria o de uma festa que me custaria hoje,
no mínimo, R$1.000,00.

Um beijo,
doce de lira

 
At 12:57 AM, Blogger Emilinha said...

Culpa da globalização da preguiça...rs. Ah, olha o trabalhão que dava fazer uma festa! Quem quer fazer bolo em casa, com glacê de dorinana batido com leite condensado e um recheio de ameixa? Quem quer cozinhar aquelas batatinhas bolinhas e deixar no molho vinagrete? Quem quer fazer sanduíches de patê de presunto com azeitonas, tirar as cascas do pão de fôrma, comprar refrigerantes no supermercado, cozinhar brigadeiro, enrolar, passar no granulado, abrir as forminhas...ufa!!! Ai, que saudade disso tudo, Joyce.

 

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