sábado, agosto 08, 2009

United breaks guitars... e a Continental também!

O instrumento que tenho em mãos aí na foto chama-se Frameworks. Trata-se de um violão criado pelo luthier alemão Frank Krocker, que alia a extrema qualidade sonora a um ponto importante: é desmontável ("tirável e pôvel", como dizia um amigo meu). O que significa que cabe numa espécie de mochila e se ajusta perfeitamente a cabines de avião. Por isso tem esse design tão diferente, perfeito para viagens. Ainda assim, no furor pós-11 de setembro, durante uma viagem de Nova York a Cleveland, fui obrigada a despachá-lo, pois a comissária de bordo entendeu que eu não poderia entrar no avião com ele. Não deu outra: à noite, na hora do show, a parte eletrônica estava danificada, o pickup estragado, e o violão não funcionou. E não funcionaria mais durante o resto da tour, o que nos obrigou a mudar todo o roteiro dos shows e a dividir o violão sobrevivente com meu parceiro Dori Caymmi (por sorte, havia dois instrumentos conosco). 

Passei o resto da turnê discutindo com a Continental Airlines e cobrando responsabilidades. Meu precioso tempo fora do palco foi gasto com telefonemas, tentativas infrutíferas de resolver o problema, uma parada na Yamaha de Los Angeles para recolher um parecer técnico por escrito, ligações para a Alemanha para falar com o fabricante (e obter dele, via fax, o mapa do pre-amp), e por aí vai. De nada adiantou, ficou por isso mesmo e a companhia aérea deixou bem claro que estava se lixando para o meu caso. Quem mandou eu viajar com meu instrumento de trabalho? Tive de esperar até uma próxima viagem à Europa para que o próprio Frank pudesse consertar o estrago.

Não era a primeira vez que isso me acontecia. A United Airlines também quebrara antes um outro violão meu, ainda nos anos 90. No caso, tratava-se de um violão convencional, de corpo de madeira, que de fato poderia parecer um trambolho dentro da cabine. Por isso, quando comprei meu primeiro Frame, achei que meus problemas tinham acabado. Doce ilusão...

Essa situação é recorrente com músicos, e até mesmo as baquetas do Tutty já foram proibidas de entrar num avião, sob o pretexto de que poderiam ser usadas como arma em caso de sequestro. Com violões, a implicancia é antiga. Por isso mesmo não me espantei com o email que recebi hoje de um amigo. Conta a história de um músico americano que teve seu violão quebrado num voo da United Airlines. Depois de um ano (!) tentando em vão que a companhia assumisse a responsabilidade, ele produziu com os músicos da banda um clipe barato e hilário, com a canção intitulada  "United Breaks Guitars". Um hit instantaneo, com mais de 4 milhões de acessos na internet. Consta que a indigitada companhia aérea já tentou negociar de todas as formas a retirada do clipe do youtube, sem sucesso. Bem feito.

Vejam aqui o clipe e depois me contem: 
http://www.youtube.com/watch?v=5YGc4zOqozo

11 Comments:

At 7:28 PM, Blogger Marcel said...

Olá Joyce!

Que legal saber da história do seu violão, principalmente porque sou apaixonado por insurmentos de corda e achava o seu lindo!
Tanto que quero um pra mim, aqui no Brasil existem alguns violões neste estilo, também feitos por um luthier, o Ramá e o Corrado. O bom é que os preços são acessíveis e é um instrumento prático pra transporte como você disse.

Essa conversa da linha aérea é fogo mesmo, bom ficar sabendo, assim sempre que for viajar jamais levarei o meu "filho" (violão) como costumo dizer comigo. rs

O vídeo está super interessante e engraçado, principalmente na parte em que os "Mexicanos" estão velando o violão quebrado!

Enfim, obrigado amis uma vez, por ter falado do seu instrumento de beleza rara!

Até jazz!

Marcel.

 
At 11:37 AM, Blogger JoFlavio said...

Joyce.

Um músico amigo me contou que agora aqui no Brasil transportar instrumentos musicais em avião virou problema sério. Parece que não pode mais seguir no mesmo vôo - é o que eles estão querendo -, mas em avião de carga, sem horário definido de chegada. Assim, você pode ficar sem o instrumento na hora do show, como aconteceu com esse meu amigo de longa data, Marcos Resende. Por sinal, ele é seu fã, sabia?

 
At 6:06 PM, Blogger Dani Monaco said...

Em abril passei poucas e boas na United, ao levar comigo meu Martin pequenino, também feito pra viagens...fui super mal tratada pela tripulação, tive crise de choro, fiquei muuuito passada. Achei pura perseguição o que sofri, de graça. Depois de ler seu post percebo que a "perseguição" realmente existe. Uma pena. Mas lavei a alma com o vídeo! Beijos.

 
At 9:45 AM, Anonymous Sergio Santos said...

Joyce.
Isso tudo sem falar do sofrimento que é para os baixistas. Se não me engano você já comentou isso por aqui. Mas os nossos queridos amigos que tocam baixo acústico estão proibidos de voar com seus instrumentos como bagagem acompanhada. Tem que despachar como carga, o que torna a empreitada proibitiva financeiramente e sem garantia de chegada na hora necessária. Nosso amigo Zeca Assumpção trava uma luta inglória contra esse absurdo, e quando há um avanço pequeno, logo logo as companhias voltam atrás. Tinha que haver um remédio contra a ganância dessas companhias aéreas, que espremem a gente nas suas classes econômicas e não tem o menor respeito com os nossos bens (no sentido concreto e afetivo), e nem com a nossa maneira de ganhar a vida.
Bjs
Sergio

 
At 10:53 AM, Blogger Paul Brasil (Paul Constantinides) said...

joyce uma amiga recentemente me mandou um email com este video justamente pq algo semelhante ocorreu com ela..pelo visto esta na hora de algo mudar neste cenario em relacao ao transporte de equipamento musicais....
abs
paul

 
At 11:41 AM, Blogger pituco said...

joyce,
o ideal seria fazer concertos pela internet...rs

pode parecer loucura, mas acredito que esse tempo virá...sem sair de casa, ou em algum local da cidade onde o artista reside, prepara-se tudo, cobra-se charge pelos acessos e o mundo pode assistir...rs

bom,
não são tantos os músicos que viajam na mesma nave, então porque proibir levar o instrumento como bagagem de mão???

assisti o vídeo...piramidal.
a música também tem esse caráter de protestar contra injustiças e situações burlescas.

espero que na viagem pra cá nada aconteça...bon voyage
abraçsonoros

 
At 4:15 PM, Blogger Xica_da_Silva said...

Joyce,

Perdoe-me, mas acho que isso e' uma oportunidade boa pra utilizer um dito Brasileiro que acabo de aprender:
'Que bagunça'!!! rsrs....

Lamento que tantas problemas aconteceu com seus violões, Joyce. No ano passado, por meu trabalho, viajei muito...quase toda semana. Mesmo que meu trabalho tem nada de ver com a musica(ensino aplicativos dos computadores), sempre insisto em trazendo meu querido violão. Brigei com a decisão pra levar um violão mais barato, mas ele tem um som barato demais! Mas por isso tenho muita empatia por algum musico profesional que não tem nenhuma escolha.

Mas uma solucão potencial:
Descrobri que se consegui reservar o ultimo assento no avião, ha um lugar atras de assento por o violão, que com a maior dos atendentes nao se-preocupa. Mesmo que não e' sempre possivel obter esse assento, muitos tempos tinha pedido se posso pôr la, e ninguem se importa...ok...as vezes confesso que ter que mendigar ou chorar um pouco. rsrsrs...

Tambem acho que a segurança aqui nos E.U.A. depois 9-11 e' uma farsa e irritante. Uma vez, ouvi um dito 'pra Ingles ver'...parece que e' um conceito um pouco semelhante, mas para 'nos americanos ver'...nosso governo tentando criar um senso de segurança(falsa) pra nos, quando o verdade e' que qualquer pessoa zingado, louco, e determinado bastante pode fazer mal. E as baquetas de Tutty?!! Então alem disso deve proibir ferros de frisar! rsrsrs...

 
At 2:42 AM, Blogger Cyntia said...

Se as baquetas do Tutty são consideradas como armas, imagina então a minha flauta? ainda bem que ela só foi barrada no baile uma vez.
Sobre o vídeo... uma bela maneira de reclamar e irritar companhias aéreas tanto quanto elas nos irritam. acho até que é uma boa sugestão para que seja feito outros vídeos sobre outro assuntos aero-musicos, como a questão de dispachar instrumentos grandes como carga... outra longa discussão.

 
At 12:02 AM, Blogger Luiz Antonio said...

O violão tem história, tem um glamour, o instrumento brasileiro, ja rendeu muita música, enfim tudo o que se fala sobre ele. Depois tem todo o lance de afinação, de formato da caixa, da madeira... Muita poesia e muito folclore e não sei (por não ser músico) até onde é verdade e a partir de quando é tudo lenda...
Ná unica vez que te vi ao vivo, aqui na UFRGS (só você e esse seu instrumento) pensei: falam tanto do violão e a Joyce (que eu acho que deve ser uma das poucas musicistas e violinistas brasileiras da atualidade) que sempre teve ele como seu instrumento sagrado aparece com esse "violão sem caixa"...afinal onde é que está a tal sonoridade? pensei cá com meus botões... (não preciso dizer que ao te ouvir eu logo soube onde andava) mas achei estranho aquela modernidade de instrumento, sem madeira, sem formato de corpo de mulher e todas essas coisas que falam do violão, do "artezão que esculpia a madeira e colocava nela os raios de luar, no corpo da mulher nua, onde o artezão finalmente colocou o seu coração..." Esse frameworks é o MP3 do violão!
Estarei no rio semana que vem...e você só na quarta feira, da outra, no rival.... (isso é alguma rivalidade??????risos)e lá vamos para mais um desencontro nesses trinta anos de carreira e "fã"...não adianta, nosso encontro deve ter sido mesmo coisa de outra encarnação....risos...
To levando a filhota mais velha ao rio para ficar comigo , vou a trabalho, e para ela conhecer a ala carioca dos parentes. Paço imperial, ouvidor, carioca, santa tereza, jardim botanico e o redentor... e alguma praia "senão ela me mata",aí vou eu. espero que o Rio receba-nos bem! (e sem gripe!)

 
At 1:22 AM, Blogger MAC - Movimento Arte na Cidade said...

Não é bem sobre o post que eu quero falar, e talvez não seja esse o melhor espaço pra isso, mas eu li hoje um artigo sobre você, publicado no Diario de Pernambuco (é sem acento mesmo), em 10/08, intitulado "Contra a Pressa de Viver", em que você fala sobre o domínio do capital sobre a cultura.
Eu, Antônio Carlos, represento um movimento que visa combater justamente isso e gostaria de convidá-la a conhecê-lo, entrando, eu acho, neste perfil que lhe escreve. O movimento ainda está muito incipiente, mas tá na hora da classe artística acordar!

Parabéns pelo seu trabalho! E desculpa qualquer inconveniente.

 
At 1:51 PM, Blogger Conrado Falbo said...

já passei várias vezes pelo drama de ter que despachar o amado violão em viagens de trabalho. e viajar anda cada vez mais complicado: quando se trata de companhias aéreas, a lista dos "não pode" é tão grande quanto a lista dos "não podemos nos responsabilizar"...

este clipe merece ser espalhado pela internet, farei minha parte.

abraços

 

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