quarta-feira, outubro 29, 2008

precisa explicar?

Queridos leitores, parece que pirei um pouco algumas cabecinhas, com minha explosão anti-vanguardista. Perdão se assim foi, não era essa a intenção. Mas vejam bem meu ponto de vista, e compreendam que foi causado por um rápido momento de irritação com coisas que acontecem na música e nas artes em geral.

Essa foto aí em cima, por exemplo: não sou fotógrafa, não sei nada sobre fotografia, mas uma foto dessas pode ser chamada de vanguardista, se houver um mínimo de boa-vontade do espectador. Posso botar um título qualquer da minha cabeça _ "anêmonas azuis do Caribe", "solidão", "o fim do mundo", "Aquarius", "no fundo do mar", "evocações submarinas", "o céu que nos protege" _ vocês escolhem, para cada título desses eu arrumo uma boa explicação. Se eu tiver amigos formadores de opinião, faço uma exposição em 3 tempos com essa série toda, digo que sou fotógrafa de vanguarda e todo o mundo acredita. E no entanto, foi apenas minha câmera digital que deu defeito, quando eu quis fotografar os peixes no Zoo de Colônia.

Tenho uma amiga, ótima artista plástica, que foi convencida por um professor a abandonar tudo o que sabia para seguir o glorioso caminho da vanguarda. Sabia pintar, pintava bem, mas agora só faz instalações. Hoje renega e se envergonha de sua obra anterior, porque não é 'muderna'. Aliás, quando recebo convites para algum vernissage atualmente, me divirto muitíssimo com os textos explicativos. É arte que precisa de mapa, bússola e glossário.

Com música também acontece isso a toda hora. Conheço músicos que não são músicos, são 'performáticos'; compositores sem obra; cantores que não sabem cantar, instrumentistas que não sabem tocar, tudo vanguarda.

Por isso salve, salve! todos os Picassos e Hermetos, que fizeram vanguarda sabendo exatamente o que estavam fazendo.

Qualquer dúvida, perguntem a São Google pelo verbete 'vanguarda' e vejam só o que aparece.

5 Comments:

At 10:38 PM, Blogger Luiz Antonio said...

Querida, usando a arte fica mais fácil mesmo de explicar esse conceito. Há julgar pela data que fora escrito vi conotações com as eleições, cuja vanguarda politica é anunciada sempre pelos mesmos jurássicos candidatos ou descendentes deles sem no entanto aparecer nada diferente no grotesco e bizarro cenário politico nacional.

 
At 9:46 AM, Anonymous George Maharis said...

I certainly couldn't agree more...that sort of "vanguard" is "mara"....maracutaia I mean...rsss...

 
At 1:33 PM, Blogger JoFlavio said...

Eu entendi perfeitamente a mensagem anterior. Apenas não tinha absoluta certeza. Por isso resolvi me omitir. Tudo esclarecido, como previa, posso agora comentar sobre o aspecto musical da tal “vanguarda” que encanta alguns idiotas de plantão. Sem querer ser bairrista, longe disso, São Paulo é pródiga em promover músicos e compositores como vertentes de uma vanguarda sustentada por um enorme desconhecimento da matéria ou (porque não?) total incompetência. Coisas como a “dodecafonia” e outras anomalias, que pouco exigem de um músico, fazem as cabeças (pobres) de muitos paulistanos. E quando os “inovadores’ são vaiados, por justa causa – isso já aconteceu com Arrigo Barnabé no Rio -, a desculpa é que ninguém sabe nada de música. É só lembrar de uma entrevista de Tom Zé para o Miéle. Tom Zé disse que nunca tinha pensado em música. Ele não tocava nada, não compunha nada. Mas acabou se envolvendo com o grupo de “vanguarda” de São Paulo. Ele mesmo, Tom Zé, confessa que ficou surpreso quando começaram a achar revolucionário o que ele mal e porcamente fazia no seu violão precário. E acabou se dando bem. Miéle,até supreso pela sinceridade do entrevistado, perguntou que nota ele se daria como músico. Resposta: “zero!”E como compositor:”no máximo 1 !” Há outros casos similares, facilmente identificáveis. Já dizia Hermeto: a harmonia é o pai da música, o ritmo, a mãe, e a melodia, o filho.

 
At 10:44 AM, Blogger Luiz Antonio said...

TÁI A TAL VANGUARDA: FONTE BOL
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04/11/2008 - 08h56
Artista nu tenta preencher vazio da Bienal
Pelado no vazio, Maurício Ianês precisa de atenção. O artista vai morar no pavilhão da Bienal pelas próximas duas semanas, sem roupa nem comida.

Vai depender das doações do público para comer, dormir e se vestir a partir de hoje. "Chegou o momento de fazer minha performance mais despida de artifícios", diz Ianês em entrevista à Folha. "É a limpeza, reduzir a ação à essência, à coisa mais crua possível."

De fato, um homem nu vagando pelo vazio da Bienal deve acentuar a crueza que marca esta edição da mostra. "Meu pensamento tem a ver com os vazios da palavra, com a não-comunicação", concorda Ianês, que nega, no entanto, ter feito uma obra sob encomenda.

Divulgação

O artista plástico Maurício Ianês já ficou pelado coberto de purpurina, em 2007, na Galeria Vermelho


"É que só a presença é mesmo capaz de encher o espaço", conclui. "É um ser humano que está se expondo para outro, o que gera um calor imenso."

Talvez por isso a performance de Ianês seja das mais pertinentes --e arriscadas-- diante da proposta dos curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen para esta Bienal, a idéia de que é preciso reacender o vínculo do público com uma obra de arte, implícita no título oficial da mostra, "Em Vivo Contato".

O público, aliás, vai precisar fazer esse contato para evitar "situações extremas", já que Ianês só vai aceitar doações de visitantes comuns ao pavilhão, não de funcionários nem de amigos ou conhecidos. "Fiz um pedido oficial que não me trouxessem nada", diz. "É importante não interferir, senão não seria um trabalho honesto."

Não é a primeira vez, aliás, que Ianês tira a roupa em nome da arte: na galeria Vermelho, já ficou pelado coberto de purpurina e, na mostra sobre sexo que a galeria fez no mês passado, aparecia num vídeo com sêmen no rosto.

O calor e a participação ativa sempre presentes no trabalho de Ianês são parte indispensável da atual incursão na Bienal.

Ele espera que se repitam histórias de sucesso do passado: numa performance em que corria por uma sala de olhos vendados, alguém do público evitou que ele se machucasse. "Outro dia, ficaram incomodados com a minha imobilidade e pediram que eu me mexesse, pelo amor de Deus."

"O lugar ideal para uma exposição se pensar é ela mesma", defende Ianês, que vê "muita força" nas ações performáticas desta Bienal, como a festa que o coletivo assume vivid astro focus deve armar para encerrar a mostra. "O espetacular nem sempre provoca reação, as pessoas assistem passivas aos filmes de Hollywood", diz.
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E PARA FINALIZAR AQUI EM PORTO ALEGRE NA BIENAL TEVE UM CARA QUE SE BESUNTAVA DE CHOCOLATE E UMA OUTRA QUE COMIA ESTATUÁRIO DE SANTOS BARROCOS FEITAS EM CHOCOLATE DURANTE A PERFORMANCE.
POR FAVOR, DESCULPEM A MINHA IGNORÃNCIA PARA A ARTE!

 
At 3:24 PM, Blogger Pituco said...

joflavio,
desculpe a intromissão...mas,não são os músicos paulistanos que se arvoram vanguarda,retaguarda,jovem ou velha guarda...essas denominações são necessidades da mídia pra fazer notícia,impressionar e criar opiniões.

não apenas o tom zé,mas o próprio arrigo(que entende um pouco mais de música do que o tom zé)não se classifica como vanguardista...ninguém é tão tolo a esse ponto!acredito eu...rs

abraçsonoros

 

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