noivas

Esta foto é de uma loja de noivas no bairro muçulmano de Skopje, Macedonia, onde fomos parar na nossa tournée do ano passado. Gostei do detalhe dos diferentes estilos, conforme as religiões ou etnias: primeiro vestido, noiva católica; segundo vestido, noiva cigana, coloridíssima, naquele jeito sandra-rosa-madalena de ser; terceiro, noiva muçulmana, a mais coberta de todas. Quem aí já leu O Livreiro de Cabul? A realidade é mais fantástica do que toda e qualquer ficção.
Mas a Macedonia é interessantíssima, como são, aliás, todas essas ex-repúblicas soviéticas (no caso da Macedonia, ex-iugoslava). Todas parecem estar descobrindo o mundo com anos de atraso, sem querer esperar mais nem um segundo. Em Skopje comemos divinamente (culinária meio grega), vimos programas de TV em sérvio e em macedonio mesmo, e tivemos míseros dois dias pra tentar entender aquela informação toda. Todos os jovens que conhecemos por lá sonham em sair do país. Meio assim feito o Brasil recente. Em Nova York, um mês mais tarde, o garçom que nos atendeu no restaurante italiano era justamente um estudante macedonio (o restante da equipe incluía gregos, russos, búlgaros, e até um brasileiro. Italiano, que é bom, nenhum.) Diz ele que o problema é a falta de perspectivas. Bom, nesse particular, empatamos _ ou não?
Na Macedonia tem bom vinho, tem jeitinho `a brasileira, burocracia, aeroporto que fica num lugar sombrio e sem ninguém, polícia mal-encarada, mercado ao ar livre, cachorro que dorme na rua, edifícios modernos e bairros bastante pobres, noivas de todas as tradições. E a esperança distante de um dia, quem sabe? o país virar membro da comunidade européia.