
Aqui está nossa turma (com exceção do Tutty, que fez a foto) no camarim do Blue Note Tokyo, tendo ao lado o querido e eficiente crew da casa (Aki, nossa atendente de camarim, e Junto, técnico de monitor, e sua equipe).

Agora sim, nosso grupo completo, com nosso convidado Sérgio Santos, mais Rodolfo Stroeter e Hélio Alves. Sérgio fez enorme sucesso com o público japonês, com sua música sofisticada e diferente de tudo e sua presença exuberante em cena - o que pra nós foi uma alegria imensa, pois previmos um futuro bacana pela frente, no exterior, para um grande artista que o Brasil ainda precisa descobrir.
O público japonês foi um caso à parte. Casa sempre cheia, uma alegria absurda, entusiasmo geral. Depois de momentos tão difíceis como os que se passaram em março, com terremoto, tsunami e risco de um desastre nuclear, com a radiação em níveis muito acima do normal, muitos artistas cancelaram suas temporadas. Por isso, o fato de termos ido lá numa hora dessas fez com que muitas pessoas viessem falar conosco, emocionadas e agradecendo. E eu só pude dizer que não deixaria de ir de jeito nenhum, pois este povo é como se fosse nossa família.
Falando em terremoto, fomos recebidos por um bem na noite da nossa chegada. Acordamos às 4 da manhã com a cama balançando e as paredes rangendo (nosso amigo Sérgio achou que se tratasse de algum casal mais animado, em algum quarto vizinho, e só se deu conta no dia seguinte...). Foi um tremor 6.4, na mesma região dos eventos de março, mas mesmo ali em Tóquio deu para sentir. Se dormir com um fuso de 12 horas na cabeça já é difícil, imagina depois dessa...
(Rodolfo diz que no Japão tem sempre um alçapão no quarto do hotel, de onde sai um dragão no meio da noite pra bafejar o cangote dos incautos...)
A temporada foi linda e feliz. Bom de se ver, um povo tão valente, apesar de ainda fragilizado por tudo o que aconteceu, querendo fazer a vida voltar ao normal de qualquer jeito.
Sim, e lá saiu o meu novo filhote, 'Rio', meu CD solo, o que me fez trabalhar dobrado - mas eu gosto!
PS- também de voz e violão, recebemos o CD do nosso amigo Pituco (Tony 'Pituco' Freitas), comentarista constante aqui do blog. Um disco simples, honesto e amoroso de música brasileira, da melhor qualidade. Uma alegria a mais. Linda a sua versão ultra-slow para 'Nós', de Johnny Alf (canção que não é pra qualquer um) e os acordes espertos que ele incluiu em 'Águas de Março'.
PS 2 - só mesmo um paulistano da gema como o Rodolfo pra identificar no querido Pituco o japonês maluco do grupo Língua de Trapo, dos anos 1980, que cantava 'Os Metaleiros Também Amam' (minhas filhas adoravam!) - hoje um sóbrio neobossanovista. São os mistérios do tempo...