
Nesta foto pré-carnavalesca, feita há uma semana atrás, eu e minha amiga-irmã Wanda Sá estamos ao lado do querido Quarteto em Cy, participando de um show delas em SP - homenagem aos 50 anos da música 'Garota de Ipanema'. A Garota está madurinha, mas os 50 são os novos 30, vocês sabem... E de qualquer modo, quem foi garota de Ipanema um dia, nunca perde a pose
(vi isso com meus próprios olhos, aconteceu com minha mãe).
As próprias meninas do Quarteto impressionam neste sentido: na vida civil, podem ser até mais maduras que a Garota, mas no palco ficam iluminadas, acendem mesmo, e se transformam nas quatro baianinhas que encantaram o Poeta. Coisa linda de se ver.

Agora cá estamos nós em pleno carnaval carioca - as ruas bombando, o carnaval de rua do Rio batendo todos os recordes, maravilha. As notícias dão conta de uma relativa calma (eu disse relativa, claro) e de uma também relativa limpeza. Que bom, meno male. Na foto acima, a Princesa Guerreira se prepara para seu primeiro bailinho de carnaval... na Alemanha. Infelizmente, parece que não foi muito bem sucedido para os padrões da mãe carioca. Carnaval alemão é assim mesmo...
Fico aqui me perguntando quando foi mesmo meu último carnaval de verdade. Podem ter sido todos aqueles carnavais em que levei minhas meninas aos bailinhos infantis da pracinha Pio XI e do clube Piraquê. Elas adoravam, se acabavam de tanto sambar. E eu me divertia de montão, só em vê-las.
Pode ter sido aquele de 1987, em que saí de destaque na Mocidade Independente, no alto de um carro, mas ali não me senti propriamente brincando carnaval: estava fazendo uma personagem importante dentro do enredo 'Tupinicópolis', do meu amigo e parceiro (e carnavalesco da escola) Fernando Pinto. Eu era a crooner da boate Saci. Fomos vice, e voltamos no domingo ao Sambódromo para o desfile das campeãs.
Pode ter sido o de 1989, quando saímos, eu, Tutty e Aninha, em duas escolas na mesma noite, igualmente por amizade: na Cabuçu, o homenageado era Milton Nascimento, e saímos na 'ala dos amigos do Bituca'. Na Tradição, saímos na 'ala dos amigos' de nosso vizinho João Nogueira. Voltamos exaustos pra casa, e infelizmente ambas as escolas foram rebaixadas. Como eu já fora vice-campeã dois anos antes, não me considerei tão pé-frio assim.
De qualquer forma, quando em 1992 fui convidada a sair na 'ala dos amigos do Tom', que estava sendo homenageado pela Mangueira, achei prudente declinar do convite, e depois me arrependi um pouco. Mas estávamos chegando justamente naquela manhã de Nova York, viagem longa: não sei se eu teria tido gás para tanto.
Mas não sei, não. Pra mim, acho que meu último carnaval, em que fui brincar na rua apenas pelo prazer da brincadeira em si mesma, pode ter sido aquele de 1968, quando saí com o Hermínio na Banda de Ipanema - ele vestido de inglês, com capa e guarda-chuva; e eu, fantasiada de Maria-Bethania-Carcará: cabelo preso atrás, calça jeans e camisa amarrada na cintura. A Banda ainda pequena, com poucos integrantes, e aquele povo todo do Pasquim liderando, com Albino Pinheiro, Hugo Bidet, Paulo Garcez e Sérgio Cabral à frente. Depois disso, fui sendo levada, por diferentes motivos, mas nunca mais senti aquela pulsão meio ingênua de carnaval, que tanto me animava na infância e na adolescência. Depois dali, acho que fiquei definitivamente adulta.
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