
Como quase todo o mundo (ou pelo menos, quase todo o mundo que eu conheço), fiquei feliz e orgulhosa pela bela vitória de Barack Obama para a presidencia dos Estados Unidos. Não dá para não pensar na magnitude deste evento. Confesso que chorei um pouquinho (mas quase todo o mundo também), e admito que essa vitória me custará um esforço extra _ é mais alguém para incluir nas minhas preces diárias, junto com a minha família, meu bairro, minha cidade, meu país. Eu e quase todo o mundo tememos pela segurança dele, ainda mais tendo lido que a venda de armas triplicou por lá desde que ele ganhou esta eleição. Tomara que o pessoal da CIA e do FBI seja tão competente como aparece nos filmes. O lado negro da força _ no sentido
star-wars da palavra _ pode querer impedir este guerreiro Jedi de fazer o que deve ser feito. O que não falta na grandiosa América é maluco armado.
Mas grandiosa a América foi mesmo _ "um grande país eu espero, espero do fundo da noite chegar", já dizia Marcinho Borges _ e foi lindo, lindo, lindo. Como já contei aqui, eu e Tutty somos fãs de Obama há muito tempo, desde o discurso antológico que ele fez no comício de John Kerry em 2004. Desde então, nossa percepção era de que esse era o cara _ e quem deveria estar concorrendo ali era ele. A TV ligada no comício e nós ocupados com outras coisas, sem olhar para a tela. Fomos atraídos, magnetizados irresistivelmente, pelo que ele dizia ali, pela força das palavras, antes de ver a imagem. Era um discurso positivo, bonito, cheio de verdade e fé. A embalagem vimos depois, e foi uma bela surpresa. Mas não foi o atrativo principal.
A vida imita a arte porque a arte está sempre `a frente dos acontecimentos, para o bem, e para o mal. Foi assim com o 11 de setembro (Hollywood adora destruir NYC), e foi assim desta vez também. O povo americano já tinha se acostumado a ver Danny Glover, Morgan Freeman e outros bons fazendo este papel de presidente negro. Mas a realidade arrumou um bem melhor do que a encomenda. Não carrega o peso do rancor do descendente de escravos, porque é filho de um africano livre. Não odeia o branco porque foi criado e amado pela família branca. É preto mesmo e é branco mesmo também. Melhor, impossível. É bom escritor, orador brilhante, tem charme e os ternos lhe caem com perfeição. Ele e a família são bonitos, elegantes, longe da jequice provinciana dos ocupantes anteriores da Casa Branca. É um cidadão do mundo e fala mais de um idioma. É o melhor do melhor, God bless America.
E ainda por cima, a acreditar no que ele conta em sua autobiografia, foi gerado graças ao efeito romântico que o filme 'Orfeu Negro' causou em sua mãe, encantada com a música e a beleza daqueles negros brasileiros cantando e dançando. Uma impressão de liberdade que mais `a frente fez com que ela se apaixonasse pelo jovem estudante do Quênia e gerasse o futuro presidente. Bem que Yoko Ono disse um dia que a música brasileira seria a salvação do mundo. Taí a prova.
PS- na foto, outono em Cleveland, Ohio.