
Copacabana, minha área, minha praia, meu lugar de origem, visto aqui do meu Posto Seis - onde nasci e fui criada. Deslumbrante cenário da festa de fim de ano mais concorrida do planeta. E pensar que na minha infância e adolescência era uma festa simplezinha, apenas moradores e devotos na areia, sem fogos, nem luzes, nem turistas
. Hoje são vinte minutos ininterruptos de fogos, a galera toda vestida de branco, oferecendo flores para Yemanjá, pacificamente. Dois milhões de pessoas!
Tudo muito lindo, não fosse a quantidade - as muitas toneladas - de lixo deixado pelo pessoal. A praia vira uma lixeira só. No dia seguinte, sofrem a Comlurb e seus garis, que têm a tarefa de limpar aquilo tudo; sofre o coração de quem ama a cidade e não tem o triste hábito de jogar no chão um papel de bala sequer.
Por que as pessoas fazem isso? Acham que o papel do poder público é limpar a sujeira delas? Até é, mas que tal se a gente sujar menos? Alguém joga lixo no chão na própria casa? pois a cidade é a extensão da casa da gente, e cabe a cada um de nós cuidar dela. Vi muitas vezes, no exterior, especialmente no Japão, as pessoas varrendo a calçada em frente às suas casas e lojas, cada um sendo responsável pelo seu pedaço. Por que o Brasil não aprende a fazer o mesmo, já que crescemos tanto na economia? Que tal um pouco mais de educação para acompanhar nosso novo status de país emergente?
Deixo como desafio uma listinha singela de perguntas que li na revista Época, escrita por alguém tão indignada como eu. É pra ler e se perguntar. Depois me contem.
Experimente responder a estas perguntas. Jogo lixo na rua? Já deixei lixo na praia? De carro, furo o sinal vermelho? Acelero no sinal amarelo para assustar o pedestre? Buzino sem parar e xingo no trânsito? Dirijo depois de beber? Deixo meu cachorro fazer cocô na rua sem recolher? Já fiz xixi publicamente? Corro de bicicleta na calçada, pondo em risco velhinhos e crianças? Abro a mala do carro estacionado para fazer ecoar meu som predileto?