
Enquanto aqui no Rio as temperaturas oscilam entre 48º na praia e mais de 56º nas celas superlotadas da carceragem da Polinter (está hoje nos jornais), nossos amigos do outro lado do Atlântico enfrentam nevascas inéditas, mesmo para os países deles. Até a calorenta Roma anda assim, como mostra esta foto tirada ontem no Vaticano...

Vejam acima o Coliseu, ao fundo, debaixo de neve. Da Costa Leste americana, por outro lado, não se esperava menos. Muita, muita neve, com cara de cenário do 'Dia Depois de Amanhã'. É o que lá está sendo chamado de '
Snowmageddon', o Armageddon (fim dos tempos) da neve. Na foto abaixo o pobre porteiro em Manhattan, tentando limpar a entrada do seu prédio.

Diante disso tudo, não dá para entender com ainda existem os céticos da mudança climática. Estão esperando que aconteça mais o quê??? O acordo de Copenhagen foi um fracasso, milhões de euros jogados fora. O querido Obama, por quem tanto torcemos, não consegue levar adiante suas boas intenções. China e Índia não abrem mão do chamado 'progresso'. Nosso Brasil joga para a arquibancada, mas terá de cumprir nem que seja em parte tudo a que se propôs. Começando por diminuir drasticamente o desmatamento.
Quando eu era novinha esperávamos o verão com ansiedade, conforme está contado na letra do 'Tardes Cariocas'. O verão era um tempo sensual e gostoso, bom para a preguiça e os amores. Hoje sair de casa tornou-se tarefa hercúlea. O Rio ficou reduzido a duas estações, verão e inferno. Aquela brisa que vinha do mar praticamente sumiu, e olhando as montanhas crivadas de favelas dá para entender por que. A ocupação irregular das encostas, estimulada criminosamente por políticos em busca de votos, resultou num desmatamento nunca antes visto por aqui. E a construção - tão criminosa quanto, voltada unicamente para o lucro - de condomínios de concreto, em altura incompatível com o que era até então o gabarito dos bairros à beira-mar, ajudou a bloquear a passagem da brisa marinha que refrescava a cidade. Isso não é de hoje, apenas estamos começando a pagar a conta.
("minha janela não passa de um quadrado/ a gente só vê Sérgio Dourado/ onde antes se via o Redentor", cantava o Tom, ainda em 1978. Sérgio Dourado, pioneiro nesse tipo de construção que tanto ajudou a enfeiar o Rio, conseguiu ter seu nome substituído por 'cimento armado' na gravação da música...)

Estes esquimós da foto somos nós, logo ali em dezembro/2009, pegando uma ainda suportável temperatura de -17º na Alemanha. Que iria baixar sensivelmente nos dias seguintes, a ponto de um cidadão em Dusseldorf dar queixa na polícia do roubo do seu carro _ que estava na verdade coberto pela neve.
Tanta coisa a fazer no nosso tempo, a Terra tem pressa. Um mais um é sempre mais que dois. Nossa casa planetária precisa que paremos com os maus tratos. Se essa acabar, não teremos outra.